Segunda feira já me preparando para ir trabalhar, quando recebo um telefonema: Nadia, parece que vai ser hoje. Os médicos estão achando que ela deve ir para a maternidade!
E meu filho que estava viajando a trabalho? Ligo para ele tentando ser o mais natural possível: você conseguiu a passagem? A que horas é seu vôo? Aliviada desligo, primeira situação de pequeno stress resolvida, ele chega em três horas ao Rio. Ufa! e agora o que faço? Fico meio barata tonta, até que peço à minhas amigas/irmãs, quero vocês lá. Numa hora dessas o apoio e carinho são fundamentais.
Por uma destas coincidências da vida, chegamos todos, ao mesmo tempo na recepção do hospital, todos vindos de pontos diferentes da cidade e do país. Bom começo.
Subimos para o quarto e começam a chegar, parentes, amigos. Num minuto, o que deveria ter um mínimo de tranqüilidade se transforma numa festa. Os futuros papais riam com os irmãos e amigos, e os futuros vovós tentavam controlar sua ansiedade e por ordem na casa.
Vem a maca que leva minha nora e meu filho acompanha, emoção sem controle: chegou a hora tão esperada! Os minutos passam devagar, a atenção fica voltada para qualquer notícia da sala de parto. Chega a primeira, nasceu! Choros e risos. Os minutos custam a passar, por favor, mais notícias, quando vai ele chegar ao berçário?
De repente meu filho aparece com aqueles trajes de centro cirúrgico, trazendo nos braços aquele pequenino. Ninguém mais se conteve, emoções soltas,abraços, sensação de plenitude. Olhei para meu filho e vi uma mudança repentina, agora ele era PAI. Mas não foi ontem que ele nasceu? Não, agora ele estava no lugar do pai dele, carregando o filho nos braços, todo cuidadoso e responsável.
E nós, avós? Emocionados, com a melhor das sensações, viveríamos para sempre naquele pequeno! Um sentimento de continuidade. Um momento, ao mesmo, tempo tão simples e tão intenso e nossas vidas se transformaram, não éramos mais os mesmos e a vida ganha outro sentido. Tudo isso numa fração de segundos... Como??
Momento mágico, indescritível, pensamentos a mil, a cabeça voava no tempo, presente, passado e futuro se misturavam, eu, meus pais, meus avós, todos representados por um pequeno, que iria crescer e dali a anos tudo se repetiria, meu filho estaria com o nariz colado no vidro, tentando reter para sempre, o que se pode chamar, com certeza, felicidade!
Para Joaquim, com amor.