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domingo, 9 de janeiro de 2011

MIAMI 1967

Em Janeiro 1967 fui a Miami pela primeira vez, e de tudo que vi, uma das lembranças mais fortes, era da quantidade de idosos, de cabelos branquinhos dirigindo seus possantes e enormes Cadillacs , alguns até sem capota. Era uma visão única, que se tornou inesquecível para mim. Não sei se tive naquela época a compreensão do que aquele comportamento significava. A velhice estava muito longe de mim, muito!

Nos vivemos numa sociedade que glorifica o jovem, seu corpo, sua beleza, sua vivacidade e inteligência. O que nos leva automaticamente à desvalorização dos mais velhos, que perdem seu papel social, que se sentem invisíveis quando em contato com outras gerações.

Em algumas culturas mais primitivas o papel do idoso é outro, seu declínio não é tão cruel e ele passa a ser uma pessoa que tem o respeito e prestígio em sua comunidade. Concluímos que a forma como se aceita o envelhecimento varia de cultura para cultura. Sendo assim, pode ser revista, modificada, reavaliada por todos nós. Como já falei em outra ocasião, nossa expectativa de vida está aumentando, o que vai gerar modificações em várias áreas, inclusive em como o idoso se percebe, quais as suas reais potencialidades, o que pode planejar para sua vida, o que deseja para si mesmo, sem a interferência de terceiros.

O envelhecer supõe um desgaste biológico, nada mais certo. Mas gostaria de falar de um talento que se pode aperfeiçoar com o tempo - a sabedoria. Podemos chamar de sabedoria tudo que se aprende vivendo, esse conjunto de experiências que se acumula na vida de cada um de nós e que pode nos tornar mais respeitáveis e principalmente orgulhosos de nossas vidas. Aquilo que construímos, do que soubemos lidar, dos obstáculos vencidos, dos erros relevados, das mágoas esquecidas e daquilo que podemos passar para os nossos,entre tantas coisas, ser uma pessoa mais flexível consigo mesmo e com os outros.
Se nos agirmos assim, seremos responsáveis por uma nova identidade do envelhecer.

Dedicado aos idosos de Miami de 1967

2 comentários:

  1. Olá Nadia, ainda hoje essas senhoras de cabelos brancos são notadas e apreciadas, uma tia minha setentona, foi também a observação que fez, das "velhinhas" ao volante. Já estou me esforçando para fazer parte de um envelhecer com uma nova identidade. Ótimo post!

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  2. ...esse talento...a sabedoria...você mostra que aprimorou com o tempo e divide com alegria e otimismo.bj
    taniamariza

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