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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CONTRASTES

Domingo a tarde, um calor de rachar e lá vou eu atrás de aventuras estéticas, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Tinha duas exposições que eu queria ver.

A primeira, maior, com muito público, do artista gráfico holandês Escher. Incrível, impactante, com ilusões de ótica em suas xilogravuras, formas transmutantes, figura e fundo, fundo e figura .Paradoxal, forte e imperdível. Fiquei vibrando em cada passo que ia percorrendo na exposição.

Tocou meu coração de um modo.

Tomei um lanche, como se tivesse que tomar fôlego, estava cansada, mas feliz.

Fui então em direção a um outro universo, doce, calmo, sutil, na bem montada exposição da nossa grande poetisa Cora Coralina. Delicada como ela, de um bom gosto impressionante, com fotografias, manuscritos, correspondências, tudo montado em tons lindos.
Ela teve a vida daquelas mulheres de uma ousadia discreta, casou-se em 1911 com um homem separado, com o qual teve 5 filhos. Depois de viúva trabalhou para sustentar a família, desde vender livros a doces que fazia como as poesias,com açúcar e com afeto. Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo".

Seu primeiro livro só foi publicado quando tinha 76 anos. Sim, muitos sonhos podem se tornar realidade aos 76, na medida que se deixa os medos de lado.

Tocou meu coração de outro modo.

Um poema dela:

“Não sei ... se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura. Enquanto durar..." Cora Coralina

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