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sexta-feira, 24 de junho de 2011

a máquina humana

O pessoal adora comparar o corpo humano com máquinas. Carros, principalmente. Assim, volta e meia alguém diz "tenho x anos, mas com peças originais de fábrica" (se for mulher), querendo dizer que está inteira por conta da boa genética, e não de nenhum procedimento suspeito de lanternagem. Quando se trata de um homem que está bem, apesar da idade, diz-se que está "em perfeito estado de funcionamento, sem precisar de aditivos", neste caso referindo-se à (ainda) boa performance sexual do sujeito em questão, que dispensaria o uso de viagra e outros produtos. Como se isso fosse o mais importante.

Na verdade a indústria farmacêutica parece ser a grande beneficiária destes novos velhos. Comprimidos para levantar a moral masculina, lubrificantes para as moças; antidepressivos para homens e mulheres em situações de baixa autoestima, calmantes para os estressados; a indústria da cosmética, com cremes milagrosos para tudo... Enfim, uma infinidade de produtos. Sem falar nos remédios para doenças cardíacas, diabetes, artrose e todos os possíveis males que a DNA (Data de Nascimento Antiga) nos traz.

Ninguém fala em alimentar a máquina de maneira mais ecologicamente correta - não com etanol, mas com combustível de melhor qualidade, evitando arruinar os motores pelo uso de cigarros ou bebidas em excesso, por exemplo - caso típico de gasolina adulterada. Ou em alimentar melhor aquilo que habita esta máquina, a casa mental, nossa alma. Essa precisa de cultura, diversão e arte, fugindo dos "pensamentos escuros", como dizia o sábio Dorival Caymmi, altamente poluentes.

É isso. É o que nos habita que interessa. É o que fará a máquina funcionar lindamente, e não a simples mecânica. Pra essa, qualquer oficina serve.

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