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sábado, 11 de dezembro de 2010

O TOPO DA PIRÂMIDE

Num destes inúmeros feriados que o ano teve, fui visitar Minas Gerais,terra do meu pai, e onde tenho uma família daquelas que não dá vontade de vir embora. Tem aquele jeitin mineirin... discretos até no afeto, mas com aquele cuidado, um tratamento carinhoso nos míninos detalhes. A goibada cascão, o pão de queijo feito com uma receita da família, aquele prato que eu gosto. Enfim, momentos que você quer eternizar. Nessa viagem, fomos a Ouro Preto e com o maior orgulho, visitamos a Escola de Engenharia, que nosso avó se formou em 1903, sim em 1903!

Mas indo além destas exibições familiares, percebi, eu que trabalho com famílias, que nós, os primos, estávamos no topo da pirâmide geracional. Nós éramos a bola da vez, para bem e para o não tão bem assim, como direi, éramos os mais velhos da família. UAU...Até aquela viagem não tinha me dado conta disso, pelo menos não queria ter me dado conta disso! Tínhamos um novo papel,uma nova responsabilidade naquela família. No princípio assusta, mas aos poucos vamos nos acostumamos com a idéia, até que descobrimos que vamos dar conta do recado. Vamos contar para os filhos e netos que vovô fazia uma fila indiana dos netos, toda santa sexta feira para dar uma moeda para cada um de nós, que vovó preparava uma mesa enorme na hora do lanche, onde comíamos o já famoso pão de queijo, o bolo de fubá...que delícia!

A religião era coisa muito séria na família, mas por ironia, meu avô era um grande ateu, assim como meu pai e o resto da família super católica. Havia grandes brigas por este motivo, mas nada que durasse muito tempo. Acho, mesmo sem saber, que foi aí que aprendi as primeiras lições de como lidar com as diferenças e principalmente a respeitá-las.

E aquela garota que morava no Rio, cresceu, estudou, foi trabalhar , casou, teve filhos e agora está preocupada em substituir, a altura, seus pais ,seus avós e seus tios.

Minha mãe me passou o cargo, mas será que aprendi a dar risadas, mesmo quando o mundo parecia que iria desabar? Lila me desenhou os caminhos da Psicologia, ainda que com linhas muito tênues e se esqueceu de me deixar a receita do doce de abóbora, será que deixou com uma das primas? E o que fazer com a religião? E a política, pai? Ser sempre de "esquerda", mesmo tendo corrido tanto risco? Ficou, mesmo sem receita, o orgulho de todos vocês. Uau! juro que vou tentar substituir a todos os queridos que já se foram, falando dos valores que me passaram. Pelo menos vou tentar...com elegância.

ASSIM SEJA!

2 comentários:

  1. Oi, meu nome é Juracy. Li a matéria Garotas de Ipanema, na Revista O Globo de 5 de dezembro. Também estudei no Çolégio São Paulo, nos anos de 68 e 69. Na minha época foi inaugurado o prédio novo, de frente para a praia, e era um suplício assistir as aulas aos sábados, porque a sala ficava de frente para o mar.... Não peguei o uniforme com chapéu, mas o nosso, que obrigatoriamente deveria ser comprado na A Colegial, na Rua Visconde de Pirajá, tinha uma saia plissada em tergal estampa príncipe de Gales, que deixava qualquer uma uns 5 quilos mais gorda, e as pregar eram todas da mesma largura, o comprimento da saia rigorosamente controlado pelas freiras, uma chatisse. Cursei no São Paulo os dois últimos anos do curso Normal, me formei em dezembro de 1969, e nunca trabalhei como professora primária (como se dizia na época), fui acabar trabalhando em Agências de Propaganda, estudei Administração de Empresas, Jornalismo e depois trabalhei muitos anso na área de Marketing. Só fui dar aulas em 2000, para turmas da Faculdade de Marketing da UniverCidade.
    Mas de todo, as recordações do Colégio São Paulo são boas, nossa turma também se reencontrou algumas vezes, marcamos almoços e matamos a saudade. A maioria com netos, algumas viuvas, outras separadas e algumas solteiras. Foi muito bom saber que vocês também se reencontraram, e que aqui no blog relembram bons momentos da Rua Montenegro. Moro na AV. Rainha Elizabeth há 43 anos, e lembro bem de uma Ipanema mais tranquila.
    Um beijo, Juracy

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  2. Alô Nádia,bom dia,lindo texto!Família é mesmo um trem danado de esquisito,um caldeirão de emoções,um caminhão de lembranças e tradições que de uma maneira ou de outra, carregamos para sempre.Tenho certeza de que vc e seus primos, com sabedoria e gentileza,terão sucesso,não só na hora de apresentar às novas gerações as belas teias tecidas no passado,como também de criarem juntos as que farão parte do futuro.Abraços mil,Anna Kaum.

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