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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RIO 40 GRAUS

“Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos... “ (trecho da música de Fernanda Abreu)

Ontem fui a cidade ( velho hábito carioca de chamar o centro, de cidade). Como tinha muita coisa pingada para fazer, deixei meu carro o mais próximo possível e fui dar as voltas de taxi.

O primeiro que entrei , estava com o ar condicionado sem gás segundo a informação do motorista , pensei em descer, mas como era um velhinho (ops ! 1ª bola fora), decidi ficar.

Não sei se vocês já notaram, mas falo bastante, e com motorista de taxi ,então...O transito estava uma loucura e o nosso amigo andava numa velocidade de cágado, o ar até que ele conseguiu um ventinho bem básico. Continuei arrependida de ter continuado no taxi, todos que passavam nos xingavam, até eu comecei a ruminar também “ com este velho na direção”, haja saco ( ops !2ª bola fora), acho que vou descer.Pergunto a ele, como poderia me deixar na porta do lugar tal, disse que não sabia direito , mas ia tentar. Pensei comigo, além de “velho é burro” (ops! 3ª bola fora)

O tempo caminhava tão devagar que comecei a conversar com ele, primeiro aquelas básicas: que transito, que calor. Ele me respondeu: é, não adianta ficar estressada. Não é que o danado tinha lido meus pensamentos. É, não adianta mesmo, vamos em frente. Eu falei para ele qualquer coisa de idade e ele me perguntou se eu era de 1947, disse que sim, de outubro, quando ele me disse de uma forma suave, eu também sou de 1947, só que nasci em setembro!!!!

Aí eu desabei,tinha passado a maior parte do trecho chamando de velhinho alguém da minha idade, quase gêmeos! Além da culpa de ter sido tão “metidinha”sim, a palavra é esta, METIDINHA! Não tive para com ele, condescendência alguma, nada. Pau/pau, pedra/pedra.

Mas ele me devolveu com delicadeza e quando chegou ao meu destino, não dava para parar bem na porta. Me perguntou com a tranqüilidade, daqueles que já são sábios: quer que eu chame um guarda para lhe ajudar a atravessar a rua, ela tem muito movimento, é perigosa. Agradeci, com vontade de me meter no primeiro bueiro, quando ouvi sua voz me dizendo, vai com cuidado!

Depois dessa, até o sol abrandou.

Um comentário:

  1. Alô Nadia,bom dia! Adorei tudo no texto.Primeiro dei boas risadas porque já me vi na mesma situação um mundareu de vezes,segundo porque carioca que mora fora do Rio tem sentimento de exílio e seu texto me remeteu a loucura que é esta cidade,principalmente nesta época do ano e eu estou verde de saudade. Liga não,amiga, por mais politicamente correta que a gente tente ser,uma hora escorrega e quando damos conta ,estamos lá,sentadas tranquilamente encima do própio rabo,soberbamente,cutucando o outro. No fim,não foi de todo ruim,vc escreveu um ótimo texto,eu desopilei meu fígado rindo e o seu taxista seguiu feliz e contente com sua plácida sabedoria.Abraços mil,Anna Kaum.

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