Minha segunda filha foi mãe adolescente, e com isso entrei cedo no rol das avós. Logo percebi que não estava sozinha - havia outras pessoas da minha geração e do meu métier tendo netos meio cedo também. Conversei com alguns e algumas, e ouvi declarações diferentes a cada vez. Um superstar da MPB me dizia: "Deus me livre! avô não vende disco!" Outro, tão superstar quanto, retrucava: "mas como Fulano é bobo, isso não tem nada a ver, neto é ótimo e ninguém deixa de comprar seu disco por causa disso!" Outra colega, cantora como eu, me perguntava incrédula: "mas você vai DEIXAR seu neto lhe chamar de vovó???" (ela fazia a neta chamá-la pelo nome) E eu, no ato: "ai dele se não chamar!" Disso, nunca me arrependi.
O fato é que não existem mais avós como antigamente. Nem bisavós, me parece. Todo o mundo está na ativa, e aquela imagem da velhinha na cadeira de balanço, tricotando, já caiu há muito tempo. Mas, por outro lado, isso me remete a uma questão: a boa e velha questão feminista.
Sim, fomos feministas de primeira hora, queimamos simbolicamente os sutiãs e fomos à luta. Caímos no mercado de trabalho, e hoje dividimos com nossos companheiros homens os mesmos estresses e obrigações. Mas talvez com isso alguma coisa fundamental tenha se perdido para as gerações de hoje. Nós que fomos pioneiras nessa dualidade de ser mãe e profissional ao mesmo tempo, de um jeito ou de outro conseguimos manter algum equilíbrio no meio do caos. Não sei se as novas gerações de mulheres estão conseguindo, até porque hoje em dia é bem mais difícil se dividir assim. E é aí que a gente entra - nós, avós.
Há poucos dias eu estava num hotel ao sul do Brasil, onde acontecia uma convenção de empresa. No restaurante, na mesa em frente, um grupo de jovens executivas, todas iguaizinhas, com o mesmo cabelo escovado, o mesmo relojão vistoso no pulso, o mesmo terninho básico, todas na faixa dos trinta. De repente, ouço a seguinte pérola: "minha mãe só aceita o 'pacotinho' se for com babá... Ela não administra muito bem, sabe?"
Levei alguns segundos para entender que o 'pacotinho' era o filho, ou filha, da jovem executiva, e que a pobre criança estava sendo rejeitada pela avó, como se não bastasse o natural sentimento de rejeição que toda criança cuja mãe trabalha fora já tem. Essa avó que 'não administra muito bem' está deixando passar uma oportunidade de ouro! Isso me fez pensar que de certo modo a ordem antiga tinha lá sua sabedoria. Criança precisa de mãe e de pai, mas também de avós que topem fazer esse papel com bom humor, sem perder o jogo de cintura e sem deixar de ser o que são.
Fala sério, minha senhora, você não sabe o que está perdendo - neto é tudo de bom!
Alô Joyce,bom dia! Ainda não sei de que é feito o prazer de ser avó,meu filho tem 17 anos e espero que a paternidade o encontre um pouco mais tarde entretanto sinto curiosidade sobre que sentimentos terei quando a hora chegar, sinceramente acredito que vou curtir um bocado.Quanto a falta de disponibilidade das avós de hoje,disso posso falar com propiedade,minha mãe nunca teve tempo nem de curtir nem de ajudar na criação do meu filho e amiga,não é fácil enfrentar a parada sem suporte e sem grana para babás.Carreguei recem-nascido para faculdade,pro trabalho ,serviço de casa eu fazia com ele amarrado nas minhas costas igual índia,( e não é que isso hoje é moda),não foi brincadeira mas valeu.No fundo acho que de certa maneira ,perdemos todos ,as avós que não aproveitam os netos,as mães que tem que segurar a onda como podem e os netos que acabam exilados do colo seguro e deliciosamente permissivo que nossas avós nos davam.Talvez seja o ônus do bônus. Abraços mil,Anna Kaum.
ResponderExcluiralô povo! visitando aqui o blog seguindo a sugestão colocada no Outras Bossas...
ResponderExcluirmuito simpatico este lance de relatar a expiriência dos anos q se passam....e da ligação entre vcs três...muito cool.
agora , não sou vô ainda, tenho 03 filhos...netos por enquanto nenhuma perspectiva...concordo com esta coisa de que ser avô, avó não atrapalha nada, aliás é "frescura"esta coisa de querer assumir o que se é de fato...
a coisa q mais me é evidente quanto a questão da vô e vó/netos, é que os vös/vós, normalmente, tratam seus netos com mais liberalidade e paparicação do que trataram seus filhos.
mas é tudo um barato, eu acho.