A gente quem, cara-pálida? Não eu. Nunca fui magra (nem santa, mas essa é uma outra história e um outro filme). Na verdade, na adolescência eu era até bem cheinha, certamente por ser uma grande comilona e, como todo nerd que se preza, não dar a mínima para a aparência. Eu era um tipo diferente de nerd - uma nerd de Ipanema, de praia, com alguns quilos a mais e aquele peito grande que hoje em dia as mocinhas 'despeitadas' mandam fazer, mas que na época me caía bem mal (a moda era ter seios pequenos, tipo Bardot ou Jane Fonda, e isso eu não tinha mesmo, estava mais pra Sofia Loren).
Mais tarde, entre os dezoito e dezenove anos, resolvi que aquele corpo não combinava comigo e me dediquei a modificá-lo, começando por fechar a boca imediatamente. Deu certo, e estive magra (aí sim, sem saber, mas estava) pelas duas ou três décadas seguintes, mesmo tendo sido mãe ainda aos vinte e pouquíssimos anos. Um certo efeito sanfona, na verdade: engordava, emagrecia, engordava, emagrecia de novo, e a vida seguia seu rumo.
Hoje, vendo minhas fotos de 1968, publicadas na matéria que saiu sobre este blog na Revista d'O Globo de domingo passado, pude me rever há 10 quilos atrás. E compreender que, com a idade, o nosso peso real se modifica em todos os sentidos. De certa forma, estou de volta aos anos da minha adolescência, quando não estava nem aí para dietas e consumia o que me dava na telha. Agora é encontrar na alma a mesma leveza daqueles anos. E isso é BEM mais complicado...
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