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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Meus votos para 2011 são...

...que as mulheres de 50, 60, 70 possam se sentir cada vez mais femininas.

...que os homens de 50, 60, 70 possam se sentir cada vez mais seguros de seus papeis.

...que se possa dar novo significado ao envelhecer, rompendo os estereótipos.

...que envelhecer possa ser experimentado com naturalidade, como um começo e não um fim.

... que vovó e vovô classifiquem pessoas que souberam mudar seu papeis na sociedade, que zelam sim, pelos seus descendentes, mas também são ativos e atraentes.

...que seja um fase do ciclo vital de maior autonomia e liberdade para viver.

...que se possa romper os tabus, que foram cerceadores em algum momento da vida.

...que se possa ter liberdade de escolha, sem se ficar preso a padrões antigos

...que haja profundas reformulações nos papeis sociais dos homens e das mulheres,
mas com políticas públicas que lhe dêem sustento .

...que se possa viver com entusiasmo e desafios.

...que a alegria seja um estado de espírito desejável por todos, já que a saúde emocional e física depende muito dela.

...que as redes de amigos tenham nós bem tecidos, para ajudar nos bons e nos maus momentos.

...que se idealize menos e se realize mais.

...que se seja menos exigente consigo mesmo.

...que se respeite muito a si próprio.

...que se possa sonhar, dançar, rir, namorar... e tudo mais que der prazer.

TUDO COM MUITA ELEGANCIA. FELIZ ANO NOVO! FELIZ ENVELHECER!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

PRESENTE DE NATAL

Fala-se muito do humor, que é fácil de identificar, mas muito difícil de se definir .O humor pode ser considerado como uma forma de se olhar o mundo. Pode-se reconhecer ao longe aquelas pessoas bem humoradas de verdade, não as que tem aquele sorriso duro, forçado, como se estivessem cumprindo uma obrigação de ter que sorrir.

Por que esse tema “humor” hoje, véspera de Natal? Sim senhores , são nessas reuniões familiares que muitas vezes o humor precisa ser usado e como.

Natal é uma data que se guarda grandes recordações de quando se era criança, depois o tempo vai passando , as relações vão se tornado mais complexas. Como meu filho vai passar o Natal viajando com a namorada? Tenho que convidar para a ceia aquele cunhado tão desagradável, que esfria qualquer ambiente? E por aí vai... Jogue a primeira pedra quem nunca passou por um desses impasses. Temos a fantasia que tudo tem que correr muito bem e o pior, nós somos responsáveis por tudo fluir bem. Santa ilusão! Aí entra nossa capacidade de deixar que cada um cuide de si e olhar para tudo com bom humor.

Humor é um estado de espírito, uma capacidade de ser mais leve diante da vida. É um brincar com ela, uma visão perspicaz da vida. Uma capacidade de surpreender o outro com uma tirada no alvo.

Em algum momento da minha vida, me disseram que rir é o melhor remédio, assim como é o melhor creme anti-rugas. Eu acredito piamente nessas premissas.

Portanto vamos tratar de nos cuidar, dando boas e gostosas gargalhadas até, ou principalmente, de nós mesmos, porque como disse alguém que não me lembro do nome (mil desculpas por usar sua frase), a gente envelhece por fora, mas rejuvenesce por dentro!

PARA VOCÊS UM PRESENTE DE NATAL, CHEIO DE MUITO BOM HUMOR E PARA SER USADO DURANTE TODO O ANO.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

saindo de viagem

Um post rapidinho de despedida até minha volta depois do Ano Novo. Espero que Nádia e (finalmente!) Eliane possam ir, elegantemente, tocando este blog na minha ausência.

Deixo aqui uma questão para pensarmos, sobre a tal da mobilidade dos idosos nas grandes cidades. Estou viajando para a Alemanha, onde todas as cidades têm calçadas lisinhas, fáceis de se caminhar e boas igualmente para quem usa cadeira de rodas, skates, carrinhos de bebês e outros meios de transporte. Aqui no Rio é uma armadilha atrás da outra, com as lindas e mal conservadas pedras portuguesas e buracos, muitos buracos: um chão irregular, que pode causar muitos acidentes aos incautos pedestres de qualquer idade.

Eu penso nisso desde já, pois, daqui a não tantos anos assim, seremos eu e meus companheiros de geração a enfrentar esses perigos, quando a velhice finalmente nos chegar. Por enquanto, os inevitáveis tombos acontecem, mas ainda dá pra 'cair bem', como cai um capoeira que é bom. E vamos driblando as calçadas cariocas!


sábado, 18 de dezembro de 2010

o peso dos anos

Há uns meses atrás, na nossa reunião da turma, vendo sua foto do baile de formatura que ilustra a página de entrada deste blog, Eliane comentou, espantada: "uau, a gente era magra e não sabia!"

A gente quem, cara-pálida? Não eu. Nunca fui magra (nem santa, mas essa é uma outra história e um outro filme). Na verdade, na adolescência eu era até bem cheinha, certamente por ser uma grande comilona e, como todo nerd que se preza, não dar a mínima para a aparência. Eu era um tipo diferente de nerd - uma nerd de Ipanema, de praia, com alguns quilos a mais e aquele peito grande que hoje em dia as mocinhas 'despeitadas' mandam fazer, mas que na época me caía bem mal (a moda era ter seios pequenos, tipo Bardot ou Jane Fonda, e isso eu não tinha mesmo, estava mais pra Sofia Loren).

Mais tarde, entre os dezoito e dezenove anos, resolvi que aquele corpo não combinava comigo e me dediquei a modificá-lo, começando por fechar a boca imediatamente. Deu certo, e estive magra (aí sim, sem saber, mas estava) pelas duas ou três décadas seguintes, mesmo tendo sido mãe ainda aos vinte e pouquíssimos anos. Um certo efeito sanfona, na verdade: engordava, emagrecia, engordava, emagrecia de novo, e a vida seguia seu rumo.

Hoje, vendo minhas fotos de 1968, publicadas na matéria que saiu sobre este blog na Revista d'O Globo de domingo passado, pude me rever há 10 quilos atrás. E compreender que, com a idade, o nosso peso real se modifica em todos os sentidos. De certa forma, estou de volta aos anos da minha adolescência, quando não estava nem aí para dietas e consumia o que me dava na telha. Agora é encontrar na alma a mesma leveza daqueles anos. E isso é BEM mais complicado...

Aqui mora gente feliz



Voltando à viagem que fiz a Minas Gerais, fiquei hospedada numa linda pousada numa cidadezinha,de não mais que dez mil habitantes, com uma rua principal, três igrejas e o cemitério, só. Mas uma delícia de clima.

Meus primos me contaram de uma casinha com uma placa na porta, com os dizeres “Aqui mora gente feliz”! Fiquei sabendo também, que as pessoas felizes que lá moravam e que alardeavam despudoradamente sua felicidade eram, uma mulher de sessenta anos que vivia com um rapaz de seus vinte anos.

Isso me deu o que pensar, a relação amorosa de um casal com diferença grande de idade, ainda é um assunto que causa polêmica. Se o homem casa com um mulher muito mais jovem, há um ruído, será que ela ela está interessada em algo que ele possa lhe oferecer? Se é ao contrário, a mulher com um homem jovem podem surgir comentários como, daqui a pouco ela está um caco e ele a troca por outra mais jovem.

Podemos concluir que há muito preconceito em relação a este assunto. E preconceitos existem para frear comportamentos, fazer pressão para que ninguém fuja dos padrões tradicionais.

Mas eu tenho uma pergunta que não quer calar, é possível duas pessoas de idades bastante diferentes, viver um amor profundo e duradouro, até que a morte os separem?

Acho eu, que a vida não tem regras para questões do coração . Mas deixo a questão para vocês refletirem.

Vida longa ao casal mineiro e que saibam viver seu amor com muita elegancia.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

RIO 40 GRAUS

“Rio 40 graus
Cidade maravilha
Purgatório da beleza
E do caos... “ (trecho da música de Fernanda Abreu)

Ontem fui a cidade ( velho hábito carioca de chamar o centro, de cidade). Como tinha muita coisa pingada para fazer, deixei meu carro o mais próximo possível e fui dar as voltas de taxi.

O primeiro que entrei , estava com o ar condicionado sem gás segundo a informação do motorista , pensei em descer, mas como era um velhinho (ops ! 1ª bola fora), decidi ficar.

Não sei se vocês já notaram, mas falo bastante, e com motorista de taxi ,então...O transito estava uma loucura e o nosso amigo andava numa velocidade de cágado, o ar até que ele conseguiu um ventinho bem básico. Continuei arrependida de ter continuado no taxi, todos que passavam nos xingavam, até eu comecei a ruminar também “ com este velho na direção”, haja saco ( ops !2ª bola fora), acho que vou descer.Pergunto a ele, como poderia me deixar na porta do lugar tal, disse que não sabia direito , mas ia tentar. Pensei comigo, além de “velho é burro” (ops! 3ª bola fora)

O tempo caminhava tão devagar que comecei a conversar com ele, primeiro aquelas básicas: que transito, que calor. Ele me respondeu: é, não adianta ficar estressada. Não é que o danado tinha lido meus pensamentos. É, não adianta mesmo, vamos em frente. Eu falei para ele qualquer coisa de idade e ele me perguntou se eu era de 1947, disse que sim, de outubro, quando ele me disse de uma forma suave, eu também sou de 1947, só que nasci em setembro!!!!

Aí eu desabei,tinha passado a maior parte do trecho chamando de velhinho alguém da minha idade, quase gêmeos! Além da culpa de ter sido tão “metidinha”sim, a palavra é esta, METIDINHA! Não tive para com ele, condescendência alguma, nada. Pau/pau, pedra/pedra.

Mas ele me devolveu com delicadeza e quando chegou ao meu destino, não dava para parar bem na porta. Me perguntou com a tranqüilidade, daqueles que já são sábios: quer que eu chame um guarda para lhe ajudar a atravessar a rua, ela tem muito movimento, é perigosa. Agradeci, com vontade de me meter no primeiro bueiro, quando ouvi sua voz me dizendo, vai com cuidado!

Depois dessa, até o sol abrandou.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

netos!

Ser avó! Não é padecer no Paraíso, mas quando você ainda está em plena vida útil, pintando e bordando em todos os sentidos, e a surpresa acontece... às vezes não é surpresa, é susto mesmo. Falo isso porque fui avó precocemente, com pouco mais de 40 anos, numa idade em que algumas jovens amigas minhas hoje estão tendo o primeiro filho. E do alto dos meus 18 anos como avó, com um neto hoje fazendo vestibular, devo dizer que valeu.

Minha segunda filha foi mãe adolescente, e com isso entrei cedo no rol das avós. Logo percebi que não estava sozinha - havia outras pessoas da minha geração e do meu métier tendo netos meio cedo também. Conversei com alguns e algumas, e ouvi declarações diferentes a cada vez. Um superstar da MPB me dizia: "Deus me livre! avô não vende disco!" Outro, tão superstar quanto, retrucava: "mas como Fulano é bobo, isso não tem nada a ver, neto é ótimo e ninguém deixa de comprar seu disco por causa disso!" Outra colega, cantora como eu, me perguntava incrédula: "mas você vai DEIXAR seu neto lhe chamar de vovó???" (ela fazia a neta chamá-la pelo nome) E eu, no ato: "ai dele se não chamar!" Disso, nunca me arrependi.

O fato é que não existem mais avós como antigamente. Nem bisavós, me parece. Todo o mundo está na ativa, e aquela imagem da velhinha na cadeira de balanço, tricotando, já caiu há muito tempo. Mas, por outro lado, isso me remete a uma questão: a boa e velha questão feminista.

Sim, fomos feministas de primeira hora, queimamos simbolicamente os sutiãs e fomos à luta. Caímos no mercado de trabalho, e hoje dividimos com nossos companheiros homens os mesmos estresses e obrigações. Mas talvez com isso alguma coisa fundamental tenha se perdido para as gerações de hoje. Nós que fomos pioneiras nessa dualidade de ser mãe e profissional ao mesmo tempo, de um jeito ou de outro conseguimos manter algum equilíbrio no meio do caos. Não sei se as novas gerações de mulheres estão conseguindo, até porque hoje em dia é bem mais difícil se dividir assim. E é aí que a gente entra - nós, avós.

Há poucos dias eu estava num hotel ao sul do Brasil, onde acontecia uma convenção de empresa. No restaurante, na mesa em frente, um grupo de jovens executivas, todas iguaizinhas, com o mesmo cabelo escovado, o mesmo relojão vistoso no pulso, o mesmo terninho básico, todas na faixa dos trinta. De repente, ouço a seguinte pérola: "minha mãe só aceita o 'pacotinho' se for com babá... Ela não administra muito bem, sabe?"

Levei alguns segundos para entender que o 'pacotinho' era o filho, ou filha, da jovem executiva, e que a pobre criança estava sendo rejeitada pela avó, como se não bastasse o natural sentimento de rejeição que toda criança cuja mãe trabalha fora já tem. Essa avó que 'não administra muito bem' está deixando passar uma oportunidade de ouro! Isso me fez pensar que de certo modo a ordem antiga tinha lá sua sabedoria. Criança precisa de mãe e de pai, mas também de avós que topem fazer esse papel com bom humor, sem perder o jogo de cintura e sem deixar de ser o que são.

Fala sério, minha senhora, você não sabe o que está perdendo - neto é tudo de bom!

sábado, 11 de dezembro de 2010

O TOPO DA PIRÂMIDE

Num destes inúmeros feriados que o ano teve, fui visitar Minas Gerais,terra do meu pai, e onde tenho uma família daquelas que não dá vontade de vir embora. Tem aquele jeitin mineirin... discretos até no afeto, mas com aquele cuidado, um tratamento carinhoso nos míninos detalhes. A goibada cascão, o pão de queijo feito com uma receita da família, aquele prato que eu gosto. Enfim, momentos que você quer eternizar. Nessa viagem, fomos a Ouro Preto e com o maior orgulho, visitamos a Escola de Engenharia, que nosso avó se formou em 1903, sim em 1903!

Mas indo além destas exibições familiares, percebi, eu que trabalho com famílias, que nós, os primos, estávamos no topo da pirâmide geracional. Nós éramos a bola da vez, para bem e para o não tão bem assim, como direi, éramos os mais velhos da família. UAU...Até aquela viagem não tinha me dado conta disso, pelo menos não queria ter me dado conta disso! Tínhamos um novo papel,uma nova responsabilidade naquela família. No princípio assusta, mas aos poucos vamos nos acostumamos com a idéia, até que descobrimos que vamos dar conta do recado. Vamos contar para os filhos e netos que vovô fazia uma fila indiana dos netos, toda santa sexta feira para dar uma moeda para cada um de nós, que vovó preparava uma mesa enorme na hora do lanche, onde comíamos o já famoso pão de queijo, o bolo de fubá...que delícia!

A religião era coisa muito séria na família, mas por ironia, meu avô era um grande ateu, assim como meu pai e o resto da família super católica. Havia grandes brigas por este motivo, mas nada que durasse muito tempo. Acho, mesmo sem saber, que foi aí que aprendi as primeiras lições de como lidar com as diferenças e principalmente a respeitá-las.

E aquela garota que morava no Rio, cresceu, estudou, foi trabalhar , casou, teve filhos e agora está preocupada em substituir, a altura, seus pais ,seus avós e seus tios.

Minha mãe me passou o cargo, mas será que aprendi a dar risadas, mesmo quando o mundo parecia que iria desabar? Lila me desenhou os caminhos da Psicologia, ainda que com linhas muito tênues e se esqueceu de me deixar a receita do doce de abóbora, será que deixou com uma das primas? E o que fazer com a religião? E a política, pai? Ser sempre de "esquerda", mesmo tendo corrido tanto risco? Ficou, mesmo sem receita, o orgulho de todos vocês. Uau! juro que vou tentar substituir a todos os queridos que já se foram, falando dos valores que me passaram. Pelo menos vou tentar...com elegância.

ASSIM SEJA!

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"ir para os aposentos"?

Está na origem da palavra 'aposentado', como bem lembrou a Nádia aqui. E o post dela me fez pensar: por que será que nossa geração tem tanta dificuldade em aceitar este inexorável destino? A maioria das pessoas que conheço está longe disso.

Tenho amigos de quase 80 anos que estão em plena ativa na vida, certo, mas são músicos como eu - e nós músicos somos uma raça à parte, assim como os atores e todos os que se alimentam de arte. Nossa matéria prima é o sonho, e como disse o poeta, "os sonhos não envelhecem". Mas no geral, mesmo em outras profissões, ninguém mais envelhece como nossos pais envelheceram. Minha mãe 'foi para os aposentos' mais ou menos na idade em que estou agora. Ela tinha sido funcionária pública a vida toda, e aparentemente adaptou-se bem à nova rotina de acompanhar todas as novelas da Globo e ajudar com os netos. E assim viveu por seus 30 anos restantes de vida, dando-se por satisfeita.

Hoje, no entanto, vejo amigas e amigos que são aposentadas(os) na vida civil, mas que passam longe dos 'aposentos'. Posso por exemplo citar uma de nossas mais queridas amigas da turma do colégio, ex-funcionária pública, que no trato parece a mais menina de todas nós. Ela viaja direto, faz cruzeiros, excursões e outros convescotes. Hoje mesmo recebi um email seu, de Buenos Aires, sempre animadíssima.

Este seria mais o modelo europeu de aposentadoria, onde os chamados 'idosos' recebem uma boa pensão e se dedicam a curtir a vida. Sorte deles. No modelo americano, os idosos vão para a Flórida, e a uma certa altura os filhos se encarregam de colocá-los no que lá eles chamam 'home', e que de 'home' não tem nada, é o bom e velho asilo de velhinhos. Uma tristeza e um convite à depressão, tão comum na velhice.

Portanto, se estamos aqui trabalhando, vivendo, atuando na sociedade e teoricamente ocupando o lugar dos mais novos - com todas as possíveis implicações freudianas, da impossibilidade das novas gerações de 'matar' simbolicamente as figuras paterna e materna - é porque isso é uma pulsão irresistível de vida em nós, da qual não queremos abrir mão. Vão ter de nos aturar, sorry...