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sábado, 8 de janeiro de 2011

mulheres francesas não engordam... mas também envelhecem!

Sempre tive a maior admiração pela França, e acho que toda a nossa geração teve essa mesma ligação com o país de De Gaulle, Bardot, Godard, Sartre e Simone de Beauvoir. Cantamos 'L'Eau à la Bouche', sonhamos com Paris como representação simbólica de liberdade (que depois se transferiria para Londres e Nova York), participamos mentalmente de maio de 68, lemos aqueles livros todos e vimos todos aqueles filmes. Hoje em dia a França anda meio caída, cheia de problemas, como de resto toda a Europa. Mas os ícones continuam lá, para quem quiser, e na questão da passagem do tempo, com muita informação interessante.

A sábia Catherine Deneuve foi quem disse que depois dos 50 anos a mulher tem de escolher entre o rosto e a bunda (em francês fica mais engraçado: 'entre la face et les fesses') Ela obviamente escolheu o rosto e ficou aquela senhora bem cheinha, mas de cara bonita, que ainda vemos nos filmes. E continua lá, aproveitando seus queijos e vinhos. Mas além das partes citadas por Madame Deneuve, eu diria ainda que é bom investir numa terceira, minha favorita - o cérebro.

O povo francês continua sendo o mais cartesiano e pensante do planeta, e uma de minhas figuras preferidas é a escritora feminista Christiane Collange. Ela escreveu alguns clássicos do gênero, como 'Eu, Sua Mãe' (sobre a dura tarefa de ser mãe de adolescentes e/ou jovens adultos), 'Eu, Sua Filha' (este falando daquele difícil momento em que temos de assumir o cuidado com os pais e mães idosos, quando ainda estamos em plena atividade) e o ótimo 'A Segunda Vida das Mulheres'. Este último, e mais recente, trata justamente da questão dos novos idosos. melhor dizendo, das novas idosas. Ou seja, os velhos da família agora somos nós. E você, mulher, que já viveu, que já sofreu, etc, etc, vai se reinventar, porque não tem outro jeito.

A igualmente sábia Tonia Carrero já dizia, ao ser perguntada sobre o que estava achando de envelhecer: 'acho ótimo, até porque a outra opção é morrer'. É por aí que Mme. Collange constrói seu argumento, demonstrando que nós, mulheres, temos mesmo uma segunda vida depois que acaba aquela primeira que construímos, com família já dispersa, pais falecidos (e às vezes maridos também), filhos adultos vivendo as próprias vidas, carreiras encerradas, na perspectiva dos 'aposentos'. Depois de uma alentada pesquisa com mulheres francesas de classe média entre os 50 e os 75 anos, ficou claro que essa 'segunda vida' é postura recorrente de mais de uma geração. É o que ela chama de 'a segunda revolução da condição feminina', quando a vida não mais entra em declínio após a menopausa. Como iremos viver esses 30, 40 anos que ainda teremos pela frente? Na base da reinvenção de nós mesmas, claro.

Recomendo este livro a quem puder encontrá-lo (não sei se já está esgotado); e recomendo ainda um fabuloso filme a que assisti ontem, do oitentão e genial Clint Eastwood: 'Além da Vida' ('Hereafter'), que trata exatamente da nossa próxima parada - aquela da qual ninguém escapa.

3 comentários:

  1. Nem pensei q até a estrela C.Deneuve tivesse este dilema, eu também escolhi o cérebro, o olhar e o rosto!! Anotei o livro e o flme, adorei vir aqui.

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  2. Cheguei aqui pq procurava modelos de cortes de cabelos. Digitei "mulheres francesas" e apareceu a imagem de Eliane... achei curioso e entrei. Que bela surpresa! Amei esse texto. Tb anotei os livros. Preferitei o blog pra voltar + tarde e conhecer Eliane e Nadia. Abraços.

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