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quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

QUASE AVÓ NÃO...AVÓ !

Segunda feira já me preparando para ir trabalhar, quando recebo um telefonema: Nadia, parece que vai ser hoje. Os médicos estão achando que ela deve ir para a maternidade!

E meu filho que estava viajando a trabalho? Ligo para ele tentando ser o mais natural possível: você conseguiu a passagem? A que horas é seu vôo? Aliviada desligo, primeira situação de pequeno stress resolvida, ele chega em três horas ao Rio. Ufa! e agora o que faço? Fico meio barata tonta, até que peço à minhas amigas/irmãs, quero vocês lá. Numa hora dessas o apoio e carinho são fundamentais.

Por uma destas coincidências da vida, chegamos todos, ao mesmo tempo na recepção do hospital, todos vindos de pontos diferentes da cidade e do país. Bom começo.
Subimos para o quarto e começam a chegar, parentes, amigos. Num minuto, o que deveria ter um mínimo de tranqüilidade se transforma numa festa. Os futuros papais riam com os irmãos e amigos, e os futuros vovós tentavam controlar sua ansiedade e por ordem na casa.

Vem a maca que leva minha nora e meu filho acompanha, emoção sem controle: chegou a hora tão esperada! Os minutos passam devagar, a atenção fica voltada para qualquer notícia da sala de parto. Chega a primeira, nasceu! Choros e risos. Os minutos custam a passar, por favor, mais notícias, quando vai ele chegar ao berçário?

De repente meu filho aparece com aqueles trajes de centro cirúrgico, trazendo nos braços aquele pequenino. Ninguém mais se conteve, emoções soltas,abraços, sensação de plenitude. Olhei para meu filho e vi uma mudança repentina, agora ele era PAI. Mas não foi ontem que ele nasceu? Não, agora ele estava no lugar do pai dele, carregando o filho nos braços, todo cuidadoso e responsável.

E nós, avós? Emocionados, com a melhor das sensações, viveríamos para sempre naquele pequeno! Um sentimento de continuidade. Um momento, ao mesmo, tempo tão simples e tão intenso e nossas vidas se transformaram, não éramos mais os mesmos e a vida ganha outro sentido. Tudo isso numa fração de segundos... Como??

Momento mágico, indescritível, pensamentos a mil, a cabeça voava no tempo, presente, passado e futuro se misturavam, eu, meus pais, meus avós, todos representados por um pequeno, que iria crescer e dali a anos tudo se repetiria, meu filho estaria com o nariz colado no vidro, tentando reter para sempre, o que se pode chamar, com certeza, felicidade!

Para Joaquim, com amor.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CUIDADO PARA NÃO SE ENGANAR...

Tenho uma amiga de muito tempo, que um belo dia, já com filhos criados, resolveu ir morar nos Estados Unidos, na cidade de sua família americana. Perdi o contato com ela, até que nos encontramos numa rede social. Colocamos em dia nossas vidas e seguimos nos falando eventualmente.

Um dia ao entrar na rede, vejo que seu status tinha mudado de solteira para um relacionamento sério. Dei vivas à ela e assim o tempo foi passando...

O homem americano como o europeu, geralmente se envolve afetivamente com mulheres de sua idade, sem nenhum tipo de restrições. No entanto, aqui no Brasil, reza a lenda que os homens preferem, ao escolher um novo par, mulheres mais novas do que eles , diferença que pode chegar a trinta anos ou mais. Ouço esta reclamação com uma certa freqüência das mulheres com quem trabalho e já são mais maduras. Até jovens mulheres na faixa do trinta e alguns anos fazem coro a esta reclamação. Estes dados são meramente especulativos, só da minha observação, sem nenhuma pesquisa que os dê uma consistência.

Mas voltando a minha amiga, vi que seu status tinha mudado novamente, de relacionamento sério para noiva. A partir daí, me senti curiosa de conversar com ela para saber se, morando há tantos anos fora, numa outra cultura, sentia a diferença no comportamento dos homens, no quesito novas parceiras. Ela sentia que os homens brasileiros preferiam, depois de separado ou viúvos, relacionar-se com mulheres mais novas, ao contrário dos americanos?

Ela riu muito das minhas questões, fiquei sem entender nada, até que ela me explicou que o noivo era um brasileiro, dois ou três anos mais velho, um conhecido dos tempos da juventude. E que chamava de noivado a apresentação formal às respectivas famílias e o desejo de tornar estável a relação.

É, pensei com meus botões, preciso rever minhas observações. As relações homem/mulher devem estar,como todo o resto dos comportamentos , sofrendo profundas modificações. E as estatísticas vão, aos poucos, nos mostrar mudanças sensíveis nestas relações.

Por favor, homens e mulheres na faixa dos 50/60/70/80 anos, com suas
experiências,me forneçam material, para que eu possa ficar bem atualizada.

Afinal,aqui no Brasil,a idade do parceiro/a é fundamental na hora da escolha?

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

cocoon

Por acaso, ontem assisti pela enésima vez às cenas finais do filme 'Cocoon' - pra quem não se lembra, aquele filme dos anos 1990 em que um grupo de velhinhos vai nadar numa piscina e descobre que dentro dela há casulos ('cocoons') que vieram do espaço e que os tornam repentinamente jovens de novo. Não na aparência (um acerto do filme) mas na capacidade de correr, dançar, transar e outras estripulias de ordem física.

No final do filme, os velhinhos resolvem partir para o planeta de onde teriam vindo os tais casulos - e vão mesmo. Engraçado ver isso de novo, tantos anos depois. O filme, quando assisti pela primeira vez, fazia algum sentido pra mim. Achei mesmo engraçado e poético. Mas vendo a cena em que o casal de avós se despede do neto (com quem tinham uma cumplicidade incrível, a ponto dele tê-los ajudado a fugir na nave), já não gostei do filme tanto assim.

Deixar os netos para trás em troca da eterna juventude... eu, hein? Nem pensar. Prefiro ficar velhinha mesmo, e esperar os bisnetos que um dia me chegarão.

domingo, 9 de janeiro de 2011

MIAMI 1967

Em Janeiro 1967 fui a Miami pela primeira vez, e de tudo que vi, uma das lembranças mais fortes, era da quantidade de idosos, de cabelos branquinhos dirigindo seus possantes e enormes Cadillacs , alguns até sem capota. Era uma visão única, que se tornou inesquecível para mim. Não sei se tive naquela época a compreensão do que aquele comportamento significava. A velhice estava muito longe de mim, muito!

Nos vivemos numa sociedade que glorifica o jovem, seu corpo, sua beleza, sua vivacidade e inteligência. O que nos leva automaticamente à desvalorização dos mais velhos, que perdem seu papel social, que se sentem invisíveis quando em contato com outras gerações.

Em algumas culturas mais primitivas o papel do idoso é outro, seu declínio não é tão cruel e ele passa a ser uma pessoa que tem o respeito e prestígio em sua comunidade. Concluímos que a forma como se aceita o envelhecimento varia de cultura para cultura. Sendo assim, pode ser revista, modificada, reavaliada por todos nós. Como já falei em outra ocasião, nossa expectativa de vida está aumentando, o que vai gerar modificações em várias áreas, inclusive em como o idoso se percebe, quais as suas reais potencialidades, o que pode planejar para sua vida, o que deseja para si mesmo, sem a interferência de terceiros.

O envelhecer supõe um desgaste biológico, nada mais certo. Mas gostaria de falar de um talento que se pode aperfeiçoar com o tempo - a sabedoria. Podemos chamar de sabedoria tudo que se aprende vivendo, esse conjunto de experiências que se acumula na vida de cada um de nós e que pode nos tornar mais respeitáveis e principalmente orgulhosos de nossas vidas. Aquilo que construímos, do que soubemos lidar, dos obstáculos vencidos, dos erros relevados, das mágoas esquecidas e daquilo que podemos passar para os nossos,entre tantas coisas, ser uma pessoa mais flexível consigo mesmo e com os outros.
Se nos agirmos assim, seremos responsáveis por uma nova identidade do envelhecer.

Dedicado aos idosos de Miami de 1967

sábado, 8 de janeiro de 2011

mulheres francesas não engordam... mas também envelhecem!

Sempre tive a maior admiração pela França, e acho que toda a nossa geração teve essa mesma ligação com o país de De Gaulle, Bardot, Godard, Sartre e Simone de Beauvoir. Cantamos 'L'Eau à la Bouche', sonhamos com Paris como representação simbólica de liberdade (que depois se transferiria para Londres e Nova York), participamos mentalmente de maio de 68, lemos aqueles livros todos e vimos todos aqueles filmes. Hoje em dia a França anda meio caída, cheia de problemas, como de resto toda a Europa. Mas os ícones continuam lá, para quem quiser, e na questão da passagem do tempo, com muita informação interessante.

A sábia Catherine Deneuve foi quem disse que depois dos 50 anos a mulher tem de escolher entre o rosto e a bunda (em francês fica mais engraçado: 'entre la face et les fesses') Ela obviamente escolheu o rosto e ficou aquela senhora bem cheinha, mas de cara bonita, que ainda vemos nos filmes. E continua lá, aproveitando seus queijos e vinhos. Mas além das partes citadas por Madame Deneuve, eu diria ainda que é bom investir numa terceira, minha favorita - o cérebro.

O povo francês continua sendo o mais cartesiano e pensante do planeta, e uma de minhas figuras preferidas é a escritora feminista Christiane Collange. Ela escreveu alguns clássicos do gênero, como 'Eu, Sua Mãe' (sobre a dura tarefa de ser mãe de adolescentes e/ou jovens adultos), 'Eu, Sua Filha' (este falando daquele difícil momento em que temos de assumir o cuidado com os pais e mães idosos, quando ainda estamos em plena atividade) e o ótimo 'A Segunda Vida das Mulheres'. Este último, e mais recente, trata justamente da questão dos novos idosos. melhor dizendo, das novas idosas. Ou seja, os velhos da família agora somos nós. E você, mulher, que já viveu, que já sofreu, etc, etc, vai se reinventar, porque não tem outro jeito.

A igualmente sábia Tonia Carrero já dizia, ao ser perguntada sobre o que estava achando de envelhecer: 'acho ótimo, até porque a outra opção é morrer'. É por aí que Mme. Collange constrói seu argumento, demonstrando que nós, mulheres, temos mesmo uma segunda vida depois que acaba aquela primeira que construímos, com família já dispersa, pais falecidos (e às vezes maridos também), filhos adultos vivendo as próprias vidas, carreiras encerradas, na perspectiva dos 'aposentos'. Depois de uma alentada pesquisa com mulheres francesas de classe média entre os 50 e os 75 anos, ficou claro que essa 'segunda vida' é postura recorrente de mais de uma geração. É o que ela chama de 'a segunda revolução da condição feminina', quando a vida não mais entra em declínio após a menopausa. Como iremos viver esses 30, 40 anos que ainda teremos pela frente? Na base da reinvenção de nós mesmas, claro.

Recomendo este livro a quem puder encontrá-lo (não sei se já está esgotado); e recomendo ainda um fabuloso filme a que assisti ontem, do oitentão e genial Clint Eastwood: 'Além da Vida' ('Hereafter'), que trata exatamente da nossa próxima parada - aquela da qual ninguém escapa.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

MUDANÇAS e mudanças

No dia que descobri que meu filho mais velho, estava começando a sair e dividir todas as despesas de cinema , jantarzinhos, viagens,etc.. de forma espontânea, com a namorada, eu me senti feliz. Toda prosa, percebi que eu e o pai tínhamos conseguido passar a lição direitinho. Desde sempre dividimos as despesas, apesar, lógico (mulheres até hoje ganham menos) , dele ganhar mais do que eu.

No fim dos anos 60, com todas mudanças que aconteciam, os pobres dos rapazes tinham que pagar a entrada do cinema e a pipoca, no mínino. Ainda era o ranço do machismo, ainda uma questão de domínio ou honra. Sei lá!
Meu filho nem pensava neste tipo de honra e quando estava sem dinheiro era a namorada que pagava tudo. E vice-versa.

E eu percebi que tinha conseguido passar para os filhos, minhas (nossas) crenças. Para mim a divisão de despesas é um símbolo de mudanças comportamentais contemporâneas, uma marca nas relações homem / mulher.
Quando se divide dinheiro, tudo o mais fica fácil de dividir. Dinheiro é símbolo de poder. É, então, uma combinação tácita, que o poder naquela relação, é dos dois, é equilibrado.

Num encontro social da minha geração com mulheres na faixa dos trinta, uma das moças presentes declarou que se sentia muito agradecida ao marido ter permitido a ela, ficar sem trabalhar até o filho fazer um ano.

Não deveria ser uma troca? Mal comparando, hoje eu posso, eu pago, você paga quando eu necessitar. Não é assim que deveria ser nos anos 2011? A mulher precisa ser agradecida pela ajuda e compreensão do marido até o filho crescer um pouco, para voltar ao mercado de trabalho? Será que o marido seria tão grato, dela trabalhar enquanto ele fazia doutorado, por exemplo? É um caso isolado? É comum? Ainda é o raio do machismo, que teima em dar o ar da graça, num ambiente de jovens modernas, trabalhadoras e auto-suficientes?

Não sei, o que sei é que fiquei um pouco decepcionada...