Há algum tempo li uma matéria num caderno feminino de um jornal do Rio,
sobre comprimento de cabelos de mulheres acima dos 50. Aparentemente não
era uma reportagem ,que deveria tomar tanto da minha atenção. Mas tinha uma pergunta que me pegou direitinho...”Podem as mulheres de 50 em diante, ter cabelos compridos?”
Antes de maiores considerações, vou contar um pouco sobre minha mãe. Ela era uma mulher, muito bonita, cheia de vida, antenada com seu tempo.
Eu nasci quando ela tinha 20 anos, diferença pequena, se considerarmos que a maioria das mulheres de hoje tem filhos depois dos 30. Mas minha mãe adorava usar coque, um coque charmoso , mas um coque ! Para festas era enfeitado com flores, travessas ou tranças, mas era um coque! Eu achava que ela poderia usar outro penteado, mas ela dizia que o coque compunha a mulher, e que deste modo estaria sempre bem penteada.
Todo este contexto familiar é para contar, como estas coisas ficam encarnadas em nós.
Usei cabelos compridos a maior parte da minha vida, porém lá por volta dos 50 e poucos, comecei a me incomodar com o tamanho do meu cabelo! Estaria compatível com a minha idade, não estavam meio despenteados? Deveria usar um cabelo “comportado”, tipo chanelzinho”(ui!!). Confesso que me rendi, fui cortando aos poucos. Até que no início desse ano cortei curtinhos, comportadinhos, bonitinhos... A minha surpresa foi meu marido,que disse um “gostei” muito do sem graça, e depois me confessou que preferia meus cabelos mais compridos e o pior de tudo, eu também prefiro, despenteados sim, mas compridos: do meu jeito.
Resultado: estou deixando minhas madeixas crescerem. Até que tamanho? Não sei ainda, mas... até onde eu quiser!
Curtos, compridos, pouco importa.Importa sim o sonho, a vontade de realizá-los.
ResponderExcluirParabéns menina,vá em frente. Manter-se vivo é poder guardar boas lembranças e repassá-las.
Repasso a você uma bela lembrança de juventude e convido-a a visitar meu blog cujo endereço é : www.beto-arquibeto.blogspot.com
Abraço,
Carlos Alberto
Jardim de infância
Após um dia estafante e complicado no escritório, Renato chega em casa toma uma ducha relaxante, janta frugalmente, deita-se e mergulha em profundo sono.
Acorda sobressaltado às duas da manhã com o barulho da queda de um quadro ao chão, derrubado pelo vento. Salta da cama assustado e vê que a garrafa d’água arrastada pelo quadro espatifara-se derramando o precioso líquido e conseqüentemente molhando o piso. Tonto de sono põe-se a recolher os cacos e a enxugar o chão. A agitação tira-lhe o sono. Rolando na cama tenta, inutilmente, voltar a dormir. A mente então voa, passeia pelo tempo, aterrissa no ano de 1948 e relembra como se estivesse revivendo tudo.
Chega ao jardim de infância, precisamente na Escola Municipal Marechal Hermes, pela mão de Dona Flora, sua mãe. Veste um avental branco, como sobretudo, com seu nome bordado em azul, cor representativa do grau escolar, no lado esquerdo do peito. A tiracolo carrega uma pequena sacola de algodão, também branca e com o nome bordado. Nela carrega o lanche preparado em casa carinhosamente por Dona Flora.
É um belo prédio de arquitetura planejada e apropriada para a atividade escolar dotado de amplas salas de pé direito elevado com portas e janelas de madeira e panos de vidro, bisotados, grande pátio coberto com rampa de acesso para a área externa ajardinada, com árvores e um jambeiro de onde, por vezes, é extraído o fruto que serve como complemento da merenda. É um excelente espaço para brincadeiras e folguedos da criançada.
Lembra ainda da sala da diretoria muito bem arrumada, com certa pompa e muito espaçosa que, além de sua função própria, é usada para tomar remédios trazidos de casa ou para descansar, algumas vezes.
É na Marechal que conhece a primeira namorada que, como ele, deve ter uns seis anos. Chama-se Sonia, é linda, grandes olhos verdes, cabelos negros em tranças. Forte é primeira emoção, primeiro amor e por isto memorável, apesar de infantil ou talvez até por causa de.
Saudades? Não, apenas doce lembrança da infância que não volta mais.
Sente a irresistível vontade de rever o prédio, entrar nele e percorrer as salas, visitar a secretaria, o pátio e quem sabe, colher e comer um jambo de cujo sabor não se lembra mais. Recordar um tempo e reviver o espaço que habitou e lhe foi tão querido.
Faz tanto tempo...
Betofreire
24/05/2006