Vou repetir aqui o que já contei em meu blog, 'Outras Bossas':
Somos três amigas de infância, três garotas de Ipanema de classe média, que estudaram na mesma escola, adolesceram juntas e depois seguiram seus caminhos, cada uma buscando seu rumo. Acabamos nos reencontrando em 2005, nos 40 anos de formatura do curso Clássico do Colégio São Paulo - um colégio de freiras que ficava (ainda fica) diante do mar do Arpoador. Um reencontro que vem se repetindo anualmente. E no último encontro da turma, Nádia teve uma ideia.
"Por que a gente não cria um blog falando sobre isso?" O "isso" em questão era como definir a gente _ garotas de Ipanema dos anos 60/70, daquela geração que mudou tudo, envelhecendo no século 21. Pois o que vimos nas reuniões era interessante. Ninguém com cara de plástica. Nenhuma dondoca, mas nem também nenhuma senhorinha. Todas nós (e olha que não somos poucas) com energia e humor de sobra, embora nem todas mais atuando profissionalmente. Mas havia no grupo, além das aposentadas de praxe (geralmente as que optaram pelo serviço público), professoras, cientistas, tradutoras, psicanalistas, jornalistas, uma gama infinita de escolhas. E o mais importante, alguma coisa indefinida, um certo 'caráter coletivo' de valores que nos fez pensar.
Eliane achava que, de alguma forma, nosso colégio - que tanto questionávamos, na época - tinha muita coisa a ver com isso. Já eu questionei se não seria talvez o reflexo de uma certa classe média carioca daquele tempo, com seus valores implícitos gravados em nós, desde a infância.
Por tudo isso, decidimos criar um blog a três, para discutir esse mistério que é o envelhecimento de uma geração que mais uma vez estará quebrando a escrita e não seguindo o disposto. Como é que a gente envelhece? Começa quando? (eu não sei quando vou começar...) Há políticas públicas que contemplem essa gente toda que vai durar mais do que o previsto? É diferente para os homens e para as mulheres?
Enfim, aqui está, finalmente, o nosso bloguinho, esperando a visita e os comentários de vocês. Vai se chamar, naturalmente, 'Avec Élégance'... que é como pretendemos atravessar essa nova fatia de vida.
Joyce querida, somos da mesma geração e cursamos o mesmo colégio. Eu me lembro bastante de você na minha sala no curso primário e às vezes me pergunto por que não nos formamos juntas. Você teria mudado de escola? Agora vejo que terminou o curso clássico no Colégio São Paulo. Eu também. Como eu não repeti ano algum e você não foi para o científico ou o normal, imagino que você tenha “pulado a 5ª. Série”, como nos foi oferecido na época. Acho que descobri finalmente o mistério. Porque, na verdade, me lembro de você mais tarde no recreio tocando violão. A garota bossa nova. Lembrança doce dos anos 60, junto com o delicioso cachorro-quente com coca-cola, o pão de mel, a vista para o mar de Ipanema, as descobertas da adolescência e todos os sonhos e projetos comuns a todas nós... Estamos aqui, na maturidade, cheias de idéias, sonhos e projetos. De novo. Isto nos faz sentir plenamente a vida e acho que se reflete nos nossos rostos. Não creio que tenhamos envelhecido, olho pra todas as meninas da minha geração e vejo que estamos ali ainda. Será por isto? Será porque, em vias de ser avó, para minha grande e suprema felicidade, ainda me recuso a sentar na cadeira de balanço e contemplar a vida através da vida dos meus filhos e de “quem mais chegar”? Tenho minhas próprias opiniões e ainda acho que tenho muito a fazer nos próximos anos, ainda que embalando meu netinho (netinha?) e cantando pra ele dormir ♪♫ ♪♫ “Um coração de mel, de melão, de sim e de não...” ♪♫ ♪♫ Esta será minha canção de ninar, amiga. Em sua homenagem. Em homenagem ao “eu feminino” que tem em você nosso maior porta-voz. E ele (ela?) será a doçura da minha vida, Minha vida que continuará sendo minha, uma vida que eu espero seja produtiva até o final dos tempos. Linda ideia esse blog. Mulheres que fazem, pensam, sonham, realizam ao lado de representantes da nova geração. Eu adoro gente bacana, seja homem, mulher, jovem ou na faixa em que estamos (e daí pra cima). Gente. Beijos pra você e suas parceiras, querida.
ResponderExcluirLosinha
OI JOYCE
ResponderExcluirVI A MATÉRIA DE ONTEM NA REVISTA DO GLOBO,TIVE ÓTIMAS LEMBRANÇAS. SOU IRMÃ DO FRANCISCO ARAÚJO QUE NAQUELA ÉPOCA TINHA UM CONJUNTO COM MACALÉ E SEU IRMÃO, DESCULPE Ñ LEMBRO O NOME, PARTICIPAVA TB. ERA UMA MARAVILHA OS ENSAIOS NA CASA DO MACALÉ.CHEGUEI A CONHECÊ-LA, ESTAVA COMEÇANDO A CARREIRA DE CANTORA. LI QUE A ELIANE ERA NOSSA VIZINHA (SEVERINO ARAÚJO)E DO MACALÉ. MUITO SUCESSO PRA VCS E UM FELIZ NATAL!
BJINS...
ADOREI TER ME ACEITADO!
ResponderExcluirAGORA VI O NOME DO SEU IRMÃO, NEWTON PALHANO!
ESTOU LOUCA PRA TIRAR A DÚVIDA SE A ELIANE É MESMO A MINHA AMIGA DE INFÂNCIA!
BJINS E SUCESSO!
Achei òtima a idéia do blog e,por isso, ouso postar uma gostosa lembrança e convidá-la a visitar o www.beto-arquibeto.blogspot.com
ResponderExcluirJardim de infância
Após um dia estafante e complicado no escritório, Renato chega em casa toma uma ducha relaxante, janta frugalmente, deita-se e mergulha em profundo sono.
Acorda sobressaltado às duas da manhã com o barulho da queda de um quadro ao chão, derrubado pelo vento. Salta da cama assustado e vê que a garrafa d’água arrastada pelo quadro espatifara-se derramando o precioso líquido e conseqüentemente molhando o piso. Tonto de sono põe-se a recolher os cacos e a enxugar o chão. A agitação tira-lhe o sono. Rolando na cama tenta, inutilmente, voltar a dormir. A mente então voa, passeia pelo tempo, aterrissa no ano de 1948 e relembra como se estivesse revivendo tudo.
Chega ao jardim de infância, precisamente na Escola Municipal Marechal Hermes, pela mão de Dona Flora, sua mãe. Veste um avental branco, como sobretudo, com seu nome bordado em azul, cor representativa do grau escolar, no lado esquerdo do peito. A tiracolo carrega uma pequena sacola de algodão, também branca e com o nome bordado. Nela carrega o lanche preparado em casa carinhosamente por Dona Flora.
É um belo prédio de arquitetura planejada e apropriada para a atividade escolar dotado de amplas salas de pé direito elevado com portas e janelas de madeira e panos de vidro, bisotados, grande pátio coberto com rampa de acesso para a área externa ajardinada, com árvores e um jambeiro de onde, por vezes, é extraído o fruto que serve como complemento da merenda. É um excelente espaço para brincadeiras e folguedos da criançada.
Lembra ainda da sala da diretoria muito bem arrumada, com certa pompa e muito espaçosa que, além de sua função própria, é usada para tomar remédios trazidos de casa ou para descansar, algumas vezes.
É na Marechal que conhece a primeira namorada que, como ele, deve ter uns seis anos. Chama-se Sonia, é linda, grandes olhos verdes, cabelos negros em tranças. Forte é primeira emoção, primeiro amor e por isto memorável, apesar de infantil ou talvez até por causa de.
Saudades? Não, apenas doce lembrança da infância que não volta mais.
Sente a irresistível vontade de rever o prédio, entrar nele e percorrer as salas, visitar a secretaria, o pátio e quem sabe, colher e comer um jambo de cujo sabor não se lembra mais. Recordar um tempo e reviver o espaço que habitou e lhe foi tão querido.
Faz tanto tempo...
Betofreire
24/05/2006