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sexta-feira, 24 de junho de 2011

a máquina humana

O pessoal adora comparar o corpo humano com máquinas. Carros, principalmente. Assim, volta e meia alguém diz "tenho x anos, mas com peças originais de fábrica" (se for mulher), querendo dizer que está inteira por conta da boa genética, e não de nenhum procedimento suspeito de lanternagem. Quando se trata de um homem que está bem, apesar da idade, diz-se que está "em perfeito estado de funcionamento, sem precisar de aditivos", neste caso referindo-se à (ainda) boa performance sexual do sujeito em questão, que dispensaria o uso de viagra e outros produtos. Como se isso fosse o mais importante.

Na verdade a indústria farmacêutica parece ser a grande beneficiária destes novos velhos. Comprimidos para levantar a moral masculina, lubrificantes para as moças; antidepressivos para homens e mulheres em situações de baixa autoestima, calmantes para os estressados; a indústria da cosmética, com cremes milagrosos para tudo... Enfim, uma infinidade de produtos. Sem falar nos remédios para doenças cardíacas, diabetes, artrose e todos os possíveis males que a DNA (Data de Nascimento Antiga) nos traz.

Ninguém fala em alimentar a máquina de maneira mais ecologicamente correta - não com etanol, mas com combustível de melhor qualidade, evitando arruinar os motores pelo uso de cigarros ou bebidas em excesso, por exemplo - caso típico de gasolina adulterada. Ou em alimentar melhor aquilo que habita esta máquina, a casa mental, nossa alma. Essa precisa de cultura, diversão e arte, fugindo dos "pensamentos escuros", como dizia o sábio Dorival Caymmi, altamente poluentes.

É isso. É o que nos habita que interessa. É o que fará a máquina funcionar lindamente, e não a simples mecânica. Pra essa, qualquer oficina serve.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

a tecnologia e o tempo

Eu me achava ultramoderna em 1994, quando comprei meu primeiro computador. Fiquei animadíssima com as possibilidades do editor de texto, e escrevi um livro imediatamente, por conta da minha nova intimidade com esta tecnologia. Depois veio o abençoado email, que me libertou de telefonemas internacionais e faxes, baixando sensivelmente minha conta telefônica. Uma beleza! E veio a revolução do mp3, que me permitiu enviar e receber músicas de e para meus parceiros, a parceria passando a ser virtual e podendo acontecer a qualquer momento e sem fronteiras, o máximo! Achei que estava pronta para entrar no Terceiro Milênio sem problemas.

O editor de texto continua funcionando muito bem. Até escrevo em dois blogs, quem diria! E isso de certa forma me tirou o tempo que eu deveria ter para me concentrar em escrever um novo livro, e até para escrever uma coluna (atividade remunerada) num jornal de grande circulação, como fiz entre 1998 e 2000... As ideias estão ali expostas diariamente nos blogs (de graça). Pra que escrever mais?

O email é sensacional, funciona mesmo. Só que as pessoas dos meus contatos profissionais passam a esperar que eu lhes responda imediatamente, independente de fuso horário ou disponibilidade pessoal. Haja tempo para viver e simplesmente deixar a vida correr, e ai de mim se não me conectar várias vezes por dia! Vou perder trabalhos e decisões importantes, na certa. E olha que me recuso a participar de redes sociais, tipo orkut, facebook, twitter e outras. Só o meu email pessoal já me toma um bocado de tempo.

E para compor novas canções, o mp3 é realmente uma ótima ferramenta. Só que os ouvintes irão baixá-las (pelo mesmo mp3) de graça. Minha profissão, de compositora, parece condenada a virar atividade diletante. Nossa classe musical luta o quanto pode para retardar este momento, mas as novas gerações parece que não pensam assim e querem oferecer seus trabalhos de qualquer maneira, sem perceber que dessa forma jamais conseguirão sobreviver do que tecem.

Agora, quando abro meu Mac, caio direto na página da Apple, que me oferece novos modelos de Iphone, IPad, a famosa "nuvem" que substituirá as antigas tecnologias... Por que eles não nos deixam em paz? precisamos mesmo de tantos sonhos de consumo? Não quero comprar mais nada, gostaria de viver em paz com meu Mac "velhinho" que já tem dois anos...

Não quero aprender a lidar com novas tecnologias. Não quero ter um milhão de amigos que não conheço. Quero muita calma pra pensar e ter tempo pra sonhar. Se tempo é dinheiro, o meu está custando caríssimo. Saudades do século passado!

Gerontofobia

Velho, velhinho/a, vovozinho/a, gasto/a, enrrugado/a, coroa, são termos com conteúdo pejorativo para designar pessoas idosas

Procurando por mais termos preconceituosos, me deparei com um termo que nunca tinha ouvido falar: gerontofobia,que quer dizer medo de envelhecer e todos os sentimentos negativos e preconceitos em relação ao idoso.

A questão que se coloca aí é, que toda vez que o ser humano não consegue ser flexível, cai no estereótipo.Se não aceita o envelhecimento como natural é
um caminho aberto para nos tornarmos gerontofóbicos.

O Brasil, segundo dados do IBGE, tem atualmente 18 milhões de idosos, número bastante significativo para não se alimentar a desvalorização e o preconceito para esta faixa de pessoas. O medo de envelhecer talvez contribua significamente na exclusão do idoso.

Como ouvi de uma pessoa com 70 e muitos: "não se pode cometer a besteira de envelhecer numa sociedade que glorifica a juventude."
No entanto, a juventude não se perde, ela pode renascer em cada descoberta que se faz ,em cada olhar curioso para o mundo.

Além disso, uma piada conhecida, fala que a melhor forma de não envelhecer ...é morrer , que convenhamos não está entre as melhores opções.