Eu me achava ultramoderna em 1994, quando comprei meu primeiro computador. Fiquei animadíssima com as possibilidades do editor de texto, e escrevi um livro imediatamente, por conta da minha nova intimidade com esta tecnologia. Depois veio o abençoado email, que me libertou de telefonemas internacionais e faxes, baixando sensivelmente minha conta telefônica. Uma beleza! E veio a revolução do mp3, que me permitiu enviar e receber músicas de e para meus parceiros, a parceria passando a ser virtual e podendo acontecer a qualquer momento e sem fronteiras, o máximo! Achei que estava pronta para entrar no Terceiro Milênio sem problemas.
O editor de texto continua funcionando muito bem. Até escrevo em dois blogs, quem diria! E isso de certa forma me tirou o tempo que eu deveria ter para me concentrar em escrever um novo livro, e até para escrever uma coluna (atividade remunerada) num jornal de grande circulação, como fiz entre 1998 e 2000... As ideias estão ali expostas diariamente nos blogs (de graça). Pra que escrever mais?
O email é sensacional, funciona mesmo. Só que as pessoas dos meus contatos profissionais passam a esperar que eu lhes responda imediatamente, independente de fuso horário ou disponibilidade pessoal. Haja tempo para viver e simplesmente deixar a vida correr, e ai de mim se não me conectar várias vezes por dia! Vou perder trabalhos e decisões importantes, na certa. E olha que me recuso a participar de redes sociais, tipo orkut, facebook, twitter e outras. Só o meu email pessoal já me toma um bocado de tempo.
E para compor novas canções, o mp3 é realmente uma ótima ferramenta. Só que os ouvintes irão baixá-las (pelo mesmo mp3) de graça. Minha profissão, de compositora, parece condenada a virar atividade diletante. Nossa classe musical luta o quanto pode para retardar este momento, mas as novas gerações parece que não pensam assim e querem oferecer seus trabalhos de qualquer maneira, sem perceber que dessa forma jamais conseguirão sobreviver do que tecem.
Agora, quando abro meu Mac, caio direto na página da Apple, que me oferece novos modelos de Iphone, IPad, a famosa "nuvem" que substituirá as antigas tecnologias... Por que eles não nos deixam em paz? precisamos mesmo de tantos sonhos de consumo? Não quero comprar mais nada, gostaria de viver em paz com meu Mac "velhinho" que já tem dois anos...
Não quero aprender a lidar com novas tecnologias. Não quero ter um milhão de amigos que não conheço. Quero muita calma pra pensar e ter tempo pra sonhar. Se tempo é dinheiro, o meu está custando caríssimo. Saudades do século passado!