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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Brasil

Aqui era aquele lugar do mundo onde não havia terremoto, tufão, ciclone nem nenhuma dessas catástrofes conhecidas. Depois do que houve na Serra, o que dizer? As enchentes já eram comuns em época de chuvas, a ponto de eu aconselhar meus amigos estrangeiros a nunca virem ao Brasil no verão. Então aconteceram as chuvas de abril de 2010, onde parte da minha rua ficou presa em cerca de um metro e meio de lama, casas aparentemente sólidas ficaram penduradas nas encostas... E agora, isso.

O planeta parece que está em convulsão, em todos os sentidos. O mundo árabe passa também por um outro tipo de terremoto, que vai se espraiando de forma jamais imaginada. Isso é bom. Ou não. Isso é estranho. O século 21, historicamente, começou em 11 de setembro de 2001 e não parou mais. A Terra nave-mãe-boazinha também não é mais a mesma. Tudo muda. The answer, my friend, is blowing in the wind (sempre achei Bob Dylan um chato, mas ele tem razão).

Não sei se estou preparada para este século, como pensava estar.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Estive na serra nesse último fim de semana. É chocante, mas ao mesmo tempo surpreendente a imensa capacidade de superação do ser humano. A vida segue... a cidade fervilha. Os jovens retomando os espaços de lazer, os bares voltando a encher... e o que emociona: uma solidariedade no ar.
Não poderia deixar de comentar a presença do poder público, no sentido positivo, da assistência prestada à população. A nós, sempre assombrados com o descaso do Estado, em várias circunstâncias, surpreendeu não só a presença maciça como a rápida ação dos governantes, na tentativa de amenizar o imenso sofrimento das pessoas.
Oxalá estejamos no caminho certo. Uma sociedade madura requer um Estado sério. Tomara....

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

CONTRASTES

Domingo a tarde, um calor de rachar e lá vou eu atrás de aventuras estéticas, no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro. Tinha duas exposições que eu queria ver.

A primeira, maior, com muito público, do artista gráfico holandês Escher. Incrível, impactante, com ilusões de ótica em suas xilogravuras, formas transmutantes, figura e fundo, fundo e figura .Paradoxal, forte e imperdível. Fiquei vibrando em cada passo que ia percorrendo na exposição.

Tocou meu coração de um modo.

Tomei um lanche, como se tivesse que tomar fôlego, estava cansada, mas feliz.

Fui então em direção a um outro universo, doce, calmo, sutil, na bem montada exposição da nossa grande poetisa Cora Coralina. Delicada como ela, de um bom gosto impressionante, com fotografias, manuscritos, correspondências, tudo montado em tons lindos.
Ela teve a vida daquelas mulheres de uma ousadia discreta, casou-se em 1911 com um homem separado, com o qual teve 5 filhos. Depois de viúva trabalhou para sustentar a família, desde vender livros a doces que fazia como as poesias,com açúcar e com afeto. Ao completar cinquenta anos de idade, a poetisa relata ter passado por uma profunda transformação interior, a qual definiria mais tarde como "a perda do medo".

Seu primeiro livro só foi publicado quando tinha 76 anos. Sim, muitos sonhos podem se tornar realidade aos 76, na medida que se deixa os medos de lado.

Tocou meu coração de outro modo.

Um poema dela:

“Não sei ... se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas. Muitas vezes basta ser: colo que acolhe, braço que envolve, palavra que conforta, silêncio que respeita, alegria que contagia, lágrima que corre, olhar que acaricia, desejo que sacia, amor que promove. E isso não é coisa de outro mundo, é o que dá sentido à vida. É o que faz com que ela não seja curta, nem longa demais, mas que seja intensa, verdadeira, pura. Enquanto durar..." Cora Coralina

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Afinal, cá estou.
Numas férias parciais, visto que trabalho está virando cachaça para mim. Não consigo relaxar e esquecer dos percalços cotidianos.
Por outro lado, adoro me sentir atribulada, com mil coisas para fazer. E é nesse clima que subir a serra é o maior barato...bem verdade que agora nem tanto.
Estou para ir à Friburgo desde os trágicos acontecimentos de janeiro, mas confesso que ainda não tive coragem. Esse final de semana vou enfrentar...
E aí poderemos falar dos males das nossas cidades, dos nossos gestores públicos, da nossa sociedade e tentar entender as nossas peculiaridades que nos fazem diferentes daquilo que consideramos ambientes sustentáveis e para nós parece não chegarem nunca. Até mais.

REDES SOCIAIS


Joyce no post anterior fala da juventude dos idosos de Copacabana.

Nada na vida é mais importante que se ter um sentimento de pertinência: eu faço parte deste grupo , eu tenho a minha turma... quando alguns já não contam tanto com suas famílias, pelos mais variados motivos, o grupo faz as vezes da família , é o grupo de suporte.Daí a importância de uma política pública que proporcione lugares e atividades que facilitem o encontro de pessoas mais idosas.

Copacabana é um bairro do Rio de Janeiro com a maior incidência de pessoas aposentadas, e algumas medidas tiveram a iniciativa da própria população, como a criação de redes de voley em diversos pontos da praia, ginástica para a 3ª idade( não gosto deste termo), um quiosque com várias mesas de xadrez, que está sempre lotado de dia e ao anoitecer.

Hoje o governo encampou algumas destas iniciativas e organizou melhor os espaços.

As pessoas que se dispõem a freqüentar qualquer destes grupos se sentem acompanhadas e não sofrem de solidão. Os estudos provam que adoecem menos e se sentem mais autônomas.

Redes sociais, aqui não é usado no sentido de Facebook,Twitter etc.. mas no de redes tecidas pelos próprios participantes e que vão se tornando cada vez mais sólidas.Um espaço para se sentir acolhido, de compartilhar dores e alegrias, trocar dúvidas, informações, cuidados e estabelecer laços de amizade ou até mesmo afetivos.

E Copacabana dá show de bola neste quesito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

muchachas de Copacabana

Faz pouco tempo, encontrei em São Paulo com dois casais que eu não via havia tempo, pais de amigos nossos. São pessoas na faixa dos 80 anos, muito bem de vida em termos financeiros - moram bem, vivem confortavelmente acima da média, enfim, nada aparentemente lhes falta. Pois bem, para minha surpresa, eles não estavam parecendo nada bem fisicamente, pelo contrário: estavam bastante caidinhos, velhinhos mesmo, já sem a energia de outrora. Parecia que se arrastavam pela vida restante.

Na mesma semana, já de volta, aconteceu de almoçarmos num desses restaurantes a quilo aqui no Rio, cheio de idosos e idosas da mesma faixa etária dos nossos amigos paulistas. Quanta diferença! Quanta alegria de viver nas senhorinhas risonhas de Copacabana, quanta malícia nos velhinhos assanhadíssimos ("o velho na porta da Colombo/ é um assombro/ sassaricando..." - como na marchinha da nossa infância), quanta graça em todos eles.

O que haverá no Rio de Janeiro que o torna tão melhor em qualidade de vida para os idosos? Será a praia, o calçadão, a água do mar? Mas que dizer do pessoal das Velhas Guardas das escolas de samba, todos moradores do subúrbio, e tão cheios de energia? Se alguém puder explicar este mistério, me conte.