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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

CURTOS, COMPRIDOS, COMPORTADOS OU OUSADOS

Há algum tempo li uma matéria num caderno feminino de um jornal do Rio,
sobre comprimento de cabelos de mulheres acima dos 50. Aparentemente não
era uma reportagem ,que deveria tomar tanto da minha atenção. Mas tinha uma pergunta que me pegou direitinho...”Podem as mulheres de 50 em diante, ter cabelos compridos?”

Antes de maiores considerações, vou contar um pouco sobre minha mãe. Ela era uma mulher, muito bonita, cheia de vida, antenada com seu tempo.
Eu nasci quando ela tinha 20 anos, diferença pequena, se considerarmos que a maioria das mulheres de hoje tem filhos depois dos 30. Mas minha mãe adorava usar coque, um coque charmoso , mas um coque ! Para festas era enfeitado com flores, travessas ou tranças, mas era um coque! Eu achava que ela poderia usar outro penteado, mas ela dizia que o coque compunha a mulher, e que deste modo estaria sempre bem penteada.

Todo este contexto familiar é para contar, como estas coisas ficam encarnadas em nós.

Usei cabelos compridos a maior parte da minha vida, porém lá por volta dos 50 e poucos, comecei a me incomodar com o tamanho do meu cabelo! Estaria compatível com a minha idade, não estavam meio despenteados? Deveria usar um cabelo “comportado”, tipo chanelzinho”(ui!!). Confesso que me rendi, fui cortando aos poucos. Até que no início desse ano cortei curtinhos, comportadinhos, bonitinhos... A minha surpresa foi meu marido,que disse um “gostei” muito do sem graça, e depois me confessou que preferia meus cabelos mais compridos e o pior de tudo, eu também prefiro, despenteados sim, mas compridos: do meu jeito.

Resultado: estou deixando minhas madeixas crescerem. Até que tamanho? Não sei ainda, mas... até onde eu quiser!

diversão

É como eu sempre digo: casamento quando é bom é ótimo, quando é ruim é péssimo. Se vocês olharem nossos resumos aí ao lado, verão que nós, as três mocinhas elegantes, somos (respectivamente, claro) casadas. E todas há muitos anos. Então pra nós aqui deve estar bom, certo? Certo, mas tem lá seus truques...

Eu e meu marido (há 33 anos) temos um código entre nós que funciona pra qualquer situação. Um olha pro outro e pergunta: "você está se divertindo?" Se a gente estiver, está valendo. Agora, se não estiver... é saída rápida pela direita! A esta altura da vida, o que der pra comemorar, a gente comemora. Qualquer coisa que aconteça tem de ser, no mínimo, divertida de algum jeito. Nem que seja só pra dar umas risadas. Gargalhadas, melhor ainda.

Não é impossível ser feliz sozinho, não; mas é um jeito mais difícil de ser feliz. Melhor dividir com alguém - seja marido, mulher, filhos, netos, sobrinhos, afilhados, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, alunos, pessoas. De preferência, com todo o mundo se divertindo.

PS- eu era muito mais velha quando tinha 20 anos e ainda não sabia nada disso...
PS II - como não estou conseguindo responder aos comentários no espaço deles, respondo aqui mesmo: tudo na vida é negociação, amiga!

sábado, 27 de novembro de 2010

NOVOS OLHARES

Um dia desses, estava trabalhando com um grupo de pessoas, todas na faixa dos 30 e poucos anos. Até que um desses jovens, me surpreendeu dizendo que estava preocupado, que o tempo estava passando rápido demais e, as vezes, ele se sentia velho! Opa...mas é para um pessoa de trinta, se sentir velho? Não era eu, que deveria me sentir assim? Quem naquele momento ocupava a cadeira de idoso? Eu,certamente! O que levava um jovem de 30 se sentir velho ? Pensei na idéia que todos os dias alguém, de qualquer idade, se levanta e se sente velho. Então falar sobre esse tema aqui, é mais complexo do que pensei a princípio.
Hoje sabemos que, aos 50, 60, 70 anos, somos mais jovens do que seríamos há não muito tempo atrás. Podemos concluir, então, que a sociedade está mais jovem, porque vivemos mais tempo e com melhor qualidade de vida. As pessoas tem consciência que vão viver mais e essa nova realidade, requer mudanças bem planejadas nos nossos comportamentos. Aposentar ( ir para os aposentos, olha eu de novo! ) não faz sentido para a grande maioria das pessoas. Todos querem ter uma participação ativa na sociedade e não mais como coadjuvantes, aquele velho simpático,mas quase invisível.
Será que o jovem, de quem falei no início, estava preocupado porque já tinha inteligentemente sacado, que não vamos abandonar nossos postos, assim tão fácil ?

COMEÇANDO...

Sempre fui curiosa , talvez isso explique por que gosto de conhecer a etimologia das palavras. Por exemplo: elegância, que dá nome ao nosso blog, vem de elegire em latim, que deu elegans. Num primeiro momento, qualificava uma pessoa exigente, que fazia boas escolhas.
Para nós, AVEC ÉLEGANCE , transcende o sentido comum de seguir a moda para ser elegante. Diz muito mais a respeito de uma atitude pessoal e uma visão de mundo mais ampla. Como me vejo? Como me respeito ? O que quero para mim? Que projetos de vida eu tenho para me enriquecer e me alimentar como ser humano? Temos muito mais a falar sobre isso, mas estamos apenas começando...
Este é um espaço para você compartilhar suas experiências de vida e pensar como é envelhecer hoje. Sempre tudo fica muito mais fácil quando se divide com outros , nossas dúvidas e questões.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

elogios???

Fico injuriada quando ouço o suposto elogio: "você parece conservada em formol!" Não pareço, não. Sou conservada em alimentação saudável (mais de 30 anos sem carne vermelha, entre outras coisas); em exercícios, caminhadas e musculação; em cremes de beleza - sim, eu acredito no poder da química: os laboratórios a cada ano aparecem com mais e melhores novidades, e eu não economizo nesse item; numa vida sexual ativa, numa fé religiosa (ambas da minha escolha) - e num trabalho produtivo, por supuesto. Tudo isso faz parte do conjunto da obra.

Estes são meus conservantes. Formol é pra cadáver, e eu estou muito viva.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

começo de conversa

Vou repetir aqui o que já contei em meu blog, 'Outras Bossas':

Somos três amigas de infância, três garotas de Ipanema de classe média, que estudaram na mesma escola, adolesceram juntas e depois seguiram seus caminhos, cada uma buscando seu rumo. Acabamos nos reencontrando em 2005, nos 40 anos de formatura do curso Clássico do Colégio São Paulo - um colégio de freiras que ficava (ainda fica) diante do mar do Arpoador. Um reencontro que vem se repetindo anualmente. E no último encontro da turma, Nádia teve uma ideia.

"Por que a gente não cria um blog falando sobre isso?" O "isso" em questão era como definir a gente _ garotas de Ipanema dos anos 60/70, daquela geração que mudou tudo, envelhecendo no século 21. Pois o que vimos nas reuniões era interessante. Ninguém com cara de plástica. Nenhuma dondoca, mas nem também nenhuma senhorinha. Todas nós (e olha que não somos poucas) com energia e humor de sobra, embora nem todas mais atuando profissionalmente. Mas havia no grupo, além das aposentadas de praxe (geralmente as que optaram pelo serviço público), professoras, cientistas, tradutoras, psicanalistas, jornalistas, uma gama infinita de escolhas. E o mais importante, alguma coisa indefinida, um certo 'caráter coletivo' de valores que nos fez pensar.

Eliane achava que, de alguma forma, nosso colégio - que tanto questionávamos, na época - tinha muita coisa a ver com isso. Já eu questionei se não seria talvez o reflexo de uma certa classe média carioca daquele tempo, com seus valores implícitos gravados em nós, desde a infância.

Por tudo isso, decidimos criar um blog a três, para discutir esse mistério que é o envelhecimento de uma geração que mais uma vez estará quebrando a escrita e não seguindo o disposto. Como é que a gente envelhece? Começa quando? (eu não sei quando vou começar...) Há políticas públicas que contemplem essa gente toda que vai durar mais do que o previsto? É diferente para os homens e para as mulheres?

Enfim, aqui está, finalmente, o nosso bloguinho, esperando a visita e os comentários de vocês. Vai se chamar, naturalmente, 'Avec Élégance'... que é como pretendemos atravessar essa nova fatia de vida.